às mulheres todas, de todos os tempos, de todos os lugares…

FOLHAS DE ROSA
 
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo… 
 
E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente… 
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente… 
 
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga
 
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
 
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado… 
 
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia… 
Poemas Selecionados, Florbela Espanca  
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Published in: on 8 de março de 2010 at 13:11  Deixe um comentário  

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